Brinde Sulfúrico
  

 

O Escorpião, o peixe e a lua por testemunha.

 

Soava música inesperada na noite ímpar

Em que a lua lhes caiu abertamente aos olhos

Como cometa despencando em um poço profundo

Sem ensaio de tentar escapar a nado.

 

A dourada, no céu,  então, fremiu 

Encantada como uma garotinha

Ao perceber não um simples encontro

Mas um selo de águas ligadas

Por uma chuva de estrelas nascidas

 

A primeira vez que se tocaram

A lua estremeceu, sobressaltada

Para descobrir na face de um

As mesmas lágrimas  que corriam

Na face do outro

 

Tudo era intenso e livre entre eles

Como correr descalço

Por campos verdes de grama macia

E vinte mil balões de todas as cores

Flutuando sobre suas alegrias

 

Ambos sabiam

Que podiam voar em torno do mundo.

A lua, na eternidade brilhou feliz

Porque “lar” era

O círculo dos braços em que se acolhiam.

 

Paula Cury

 



Escrito por Paula Cury às 01h35
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