Brinde Sulfúrico - Paula Cury


Coisas de Oswald

 

Semana passada, ontem para ser exata, tive uma conversa com Oswald.

 

Nos encontramos por acaso numa cafeteria de mesas redondas e toalhas brancas rendadas - veja só, ainda se usa renda -, cadeiras almofadadas e xícaras de porcelana e talheres de prata e bolos de sabores muito bons.

 

            Entrei como se me fosse costume, queria que fosse, e sentei numa das mesas e foi inevitável passar a mão por sobre a toalha branca – as rendas finas.  - Pedi o chá da casa e uma fatia de bolo (daqueles que vem com recheio de creme e cobertura) ao garçom muito bem vestido por sinal, com um paletó branco, calças impecavelmente pretas e vincadas – sempre achei difícil fazer vinco, vincos sempre foram mais fáceis – além da gravatinha borboleta presa ao pescoço, logo imaginei mariposa, porque é assim: não gosto de coisas estáticas. E ainda pensava na mariposa pelas costas do garçom quando vi Oswald entrando carregado de jornais e outros papéis. Não estava carrancudo, mas parecia preocupado, alguém esperava uma resposta, com certeza. Vi quando ia jogar a papelada sobre uma das mesas, mas parou e olhou para todos os lados e deu de encontro comigo – quase um Almodóvar: olhos nos olhos quero ver o que você faz -. Foi ali que sorriu e veio, todo faceiro e sem convites, largando papéis nas cadeiras e sobre a minha mesa (escolhida por mim: minha, que me serve, que me é ...) e sentou à minha frente puxando a cadeira até encostar a pança na mesa. A toalha enrugou (a minha toalha branca de renda sobre a minha mesa). Pensei em esticá-la, mas o possível toque na barriga de Oswald poderia causar um constrangimento irreparável. Não à ele, lógico, mas a mim. 

 

            Não que não goste de Oswald, até simpatizo bastante com ele, embora já lhe tenha dito que suas palavras por vezes não me tocam. Ele ri achando que brinco. Não brinco.

 

            Sorrimos essas coisas de há quanto tempo e o que acontece e como vão seus pais e amigos e a cotação da bolsa e preço dos vinhos.

 

Se me lembro bem era minha vez de falar, mas Oswald – e é isso que também não gosto nele – começou a tagarelar com aquela voz de quem sabe de tudo e o pior, de quem não deixa virgula sequer para o interlocutor (no caso, eu) respirar. Não gosto de virgulas, é certo, e ele parecia fazer de propósito só para truncar as frases na minha garganta. O chá estava quente, mas tive de dar dois grandes goles para fazer palavras e todas as reticências descerem, sem soluço. Quase engasgo com um ponto e vírgula. Fosse apenas ponto desceria manso, mas a vírgula... 

            Oswald, então, em seu discurso entre goles de chá e nacos de bolo, que nem sei como não escapavam de sua boca entre uma interjeição e outra, dizia que:



Escrito por Paula Cury às 02h42
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Épreciso escrever para o povo, criando, assim, no proletariado uma consciência revolucionária contra o sistema político, cujos responsáveis devem ser os intelectuais.– eu ia dizer que já havia feito,até, com alguns bons resultados, mas não me ouviria -Os jornais serão os principais veículos da propaganda da ‘nova’ forma de pensar e criar– e o dinheiro Oswald? E odinheiro? -Perceba que pela escrita pode-se fazer um trabalho de conscientização política– sim, sim, você sempre diz isso,mas... –Proponho a salvação do homem brasileiro, questionando a classe dominante– heim? -Mas quem é essa ELITE, em cujas mãos se monopolizam os 'meios de produção'. Imbecis de todas as espécies, moços quenão têm um dedo de conhecimento de vida, coronéis inviris e de mulheres feias,vazias e recalcadas.– oswald caia na real, isso já passou. Não, não passou, mas precisamos de algo mais. Já não basta porque... –Não há tempo para discussão, tudo está dito. Vamos revolucionar– péra lá, você ainda não me deixou falar. Eu tenho uma dúvi... -Dum país que possui a maior reserva de ferro e o mais alto potencial hidráulico, fizeram um país de sobremesa. Café, açúcar, fumo, bananas. Que nos sobrem ao menos as bananas. –você não está falando sério. Falta seriedade, Oswald. Falta seriedade? –Antropofagia, já– não seriam diretas? -Aposse contra apropriedade – não me faça apologia aos sem-terra, sabe quanto isso me incomoda, uma vez que aterra com fins produtivos... -Somos um Eldorado fracassado – isso todos já sabem, Oswald, não se torne repetitivo, por favor. Precisamos mudar a situação, que agora não é só de terras e povo, é a solução para o ser humano, o indivíduo já não indivíduo, massa coletiva (pleonasmos à parte) de um ser construído para obedecer a ditames midiológicos e nunca satisfatórios. Eu penso que ... -Ocaráter destrutivo não vive do sentimento de que a vida vale ser vivida, mas de que o suicídio não vale a pena - é isso que quero dizer.



Escrito por Paula Cury às 02h40
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Há algo  mais filosófico, mais intrínseco ao brasileiro. Há de se perguntar, meu caro, não só quem é o Brasil, mas também e principalmente quem é o brasileiro. Que cultura traz, que ideologia, sonhos, vontades, objetivos e tantas outras coisas importantes. Quem é o brasileiro, Oswald? Quem é você? Quem sou eu? Quem somos nós? O indivíduo (e não falo do individualismo que este grita em qualquer canto, sozinho e mandão). A individuação de se saber diferente dos demais – nem melhor, nem pior, apenas brasileiros – a nossa música, ainda é nossa? Depois da bossa nova e da tropicália o que veio?  A nossa língua ainda é nossa?  Hardware, software, self-service, drive thru quais os sinônimos em tupi? E em guarani? Onde estão os índios? Os literatos, os literatos, mesmo, em que cadeiras estão sentados? Os pasquins, os folhetins, o bom e velho cordel está pendurado em qual varal?  A nossa sétima arte anda a pequenos passos, mas anda.  Anda certo ou vai se perder numa vala hollywoodiana qualquer de esquina? A plástica e toda sua arte, onde estão seus nomes e para o quê vem? O que querem nos mostrar agora ou nos fazer engolir?... O meu vizinho ou o motorista de ônibus ou a garçonete ou a prostituta da Rua Augusta ou o padre Marcelo ou o bispo Edir Macedo ou o Lula ou o Fernandinho Beirma-mar, quem são estes brasileiros? O que buscam? E a Rede Globo, o SBT, a Record e etc.? A TV Cultura é suficiente? A cultura brasileira onde está? O Saci, Iara, Mula-sem-cabeça e Curupira se perderam em alguma festa de halloween?  Quem somos, Oswald? Brasileiros – brasileiro – quem é? Quem somos nós em Pindorama? E isso, meu caro, é o que corrói minhas idéias enquanto bebo o chá, que talvez devesse ser café ou uma boa garapa. São estas respostas que busco. É o que se deve levar em conta, hoje, porque estamos indo por uma Off-road que nos levará ao abismo do esquecimento. Estamos nos tornando xerox de outros indivíduos, escrevendo words no Word em fonte Times New Roman.

            Oswald acaba de tomar sua xícara de chá. Limpa a boca na toalha (na minha toalha branca de renda) arruma os papéis. Sorri com pedaços de bolo entre os dentes. - Sei que está

Escrito por Paula Cury às 02h40
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matutando -. Levanta. E vai.

             Quis levantar também, indignada que estava, e quase grito: Oswald de Andrade, seu grande safado, volte já aqui e pague a sua conta.

 

            Mas ele ia, carregando tantos papéis e algumas idéias (nossas), para discutir, agora, com outros bons amigos. E eu, enfim, pude ajeitar a toalha branca de renda.

 

            Semana que vem nos encontraremos de novo, talvez com alguma resposta, talvez com uma boa idéia de começar...

 

 

Paula Cury

 

 

Em negrito: citações de Oswald de Andrade  e comentários retirados do jornal: O Homem do Povo (março a abril de 1931).  - criado por Oswald de Andrade e Pagu.

Escrito por Paula Cury às 02h39
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ARQUIMEDES


- Arquimedes, meu filho, a janta está posta!


Novamente a janta posta, pensava o pequeno Arquimedes entre um rebite e outro de seus dedos. Seria tão melhor ficar ali, olhando a paisagem que desprendia do céu e grudava na terra arenosa da Holanda. Seria melhor correr aquela terra e enfiar os pés até os joelhos untados de um óleo especial para as juntas (preocupação de mãe).


Arquimedes sentia por dentro um vácuo, um vazio, um nada mesmo sem um grão de trigo sequer para pensar em pão ou bolo de grãos ou chocolate - chocolate suíço -. Sua vida de pequeno Arquimedes era monótona. Não havia aventuras ou perigos. Sempre amparado pela mãe prestimosa e seus óleos de todos os tipos, um para a cabeça, outro para as juntas, outro ainda para limpeza e aquele fedido para deixar tudo brilhando. Era uma preocupação excessiva para quem mal se mexia, mal se mexia, mal se mexia. Até mesmo seus pensamentos tinham a forma de uma engrenagem que não rodava. Sempre o mesmo pensamento tilintando sua cabeça como as voltas da haste de um parafuso “como seria lá fora?”.

Na verdade, Arquimedes não tinha a menor noção do que seria o “lá fora”. Sentia apenas que deveria ser tudo muito diferente de tudo quanto ele já conhecera. Conhecia bem sua mãe e a preocupação que rondava a pequena cabeça quase grisalha daquela que com tanto esmero – desnecessário – cuidava dele e de sua saúde e de sua aparência – Venha, Arquimedes, passar um óleozinho para manter seus dentes brilhando –. Sempre um óleozinho à postos para tudo, até mesmo para um simples resfriado, daqueles bobos que fazem a gente parecer meio enferrujado. Só não havia óleo para o “lá fora”, para tudo o que se passava longe das vistas, tudo quanto Arquimedes acreditava ser melhor do que ali, na paradeira do tudo igual como ontem e anteontem e etecétera.

 

O que seria de sua vida dali para frente? Seria o mesmo que dali para trás? Não podia ser. Arquimedes não queria que fosse. Queria mais ou mesmo menos. Só não queria igual. O que faria? Quem, na verdade seria Arquimedes? Sempre grudado na mãe, ou ao contrário. Sim, ao contrário. A mãe sempre grudada. Teria chances de ser ele mesmo? Ele mesmo? Mas quem era ele mesmo? Quem seria ele mesmo? O ele mesmo que ele mesmo não sabia quem era tinha vontade de ser ele mesmo, mas o ele mesmo conhecido dele mesmo e de todos os outros. Ele, Arquimedes, chegaria a ser Arquimedes?


Dona Hidra, mãe de Arquimedes, vivia preocupada com o filho, sempre triste. Parecia mesmo que andava emperrado. Macambúzio – termo que aprendeu com um gringo lá da Terra Brasilis -. Arquimedes andava Macambúzio e dona Hidra andava preocupada. Andar não é bem o termo, mas... Havia dias que dona Hidra pegava Arquimedes olhando para a paisagem lá do fim do mundo e parecia que olhava além do fim do mundo ainda. Olhava, na verdade para mais além ainda do além do fim do mundo. E, como boa mãe que era foi procurar ajuda. Assim, conversou com dona Mózinha, vizinha de séculos, que muito gentilmente indicou a leitura de Dom Quixote. Dizem que o diálogo foi mais ou menos assim:



Escrito por Paula Cury às 23h50
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- Mózinha, como vai?

- Ah, Hidra, me virando como sempre, sabe como é?

- Sei, sim. A gente vai pra lá e vai pra cá num vai e vem que até parece onda do mar.

- Pois é, querida, só que no meu caso eu só vou, sempre na mesma direção e acho que é por isso que tenho a impressão de que não saio do lugar por mais que eu gire, gire, gire... ando meio cansada. Talvez se eu não girasse tanto, eu fosse, mas sabe como é, acostumei assim, por isso acho que não vou, ou vou, mas fico. Não sei. Queria mesmo era ir e não vir ou até mesmo vir, mas não vir para o mesmo lugar. Ai, ai.

- Ah, Mózinha, não desanime. Uma hora isso tudo há de acalmar. Hão de descobrir uma forma mais tranqüila da gente viver. Tenha fé. Mas sabe, eu vim te pedir um conselho.

- Pois diga, Hidra. O que acontece? Você está com cara de quem andou desaguando algumas lágrimas.

- Pois, sim. Algumas ali, outras acolá. O problema é o pequeno Arquimedes. O menino anda numa tristeza que dá dó.

- Vai ver é mais uma gripe de enferrujar.

- Ah, não é não. Disso tenho certeza. Desde que comecei a usar aqueles óleos maravilhosos que vi na televisão, meu Arquimedes nunca mais pegou uma ferrujinha sequer de espirro. Acho que é algo mais existencial. Vivo reparando no pequeno olhando para o infinito.

- Hum. É a idade, Hidra, ele já está quase maduro e vai querer correr mundo. Ou você acha que vai querer ficar aqui com um bando de velhos caindo aos pedaços parecendo casa sem reboco?

- Não me diga isso, Mó, por favor. Não sei o que faria sem meu Arquimedes.

- Você tem que se desprender de seu filho, amiga. Um dia eles se vão e é preciso deixar ir. Eles amadurecem.

- Ai, ai, ai, o que será da minha vida? O que faço? E agora? Estava com uma preocupação e agora são duas.

- Calma, calma, não precisa desaguar dessa maneira. Sabe o que seria muito bom?

- O que, Mó, o que?

- Dê-lhe Dom Quixote para ler.

- Dom Quixote?

- É, Dom Quixote. No fundo todos temos um Dom Quixote dentro de nós. Dom Quixote é aquela voz que bate dentro da gente e nos manda ir para frente, sempre em frente em busca de algo que nem se sabe o que é. A mesma voz que nos dá coragem de lutar e brigar e se atracar com quem quer que seja, mesmo que não sejam o que achamos que são.

- Mas, será?

- Pode confiar. Ele vai gostar e vai ser muito bom, pois saberá o que realmente quer. Vai chegar a conclusão, como nós, de que ficar onde se conhece é melhor do que partir para sabe-se lá onde. Sempre se acaba voltando para o mesmo lugar. Assim como eu.

- Então vou já pedir por aquele telefone que vende tudo. Ah, obrigada, Mozinha, não sei o quê seria de mim sem você.

- Uai, Hidra, você seria o que é.


Foi mais ou menos assim. É certo que cortamos algumas falas porquanto desnecessárias. E dona Hidra correu comprar o livro e presenteou o pequeno Arquimedes num dia em que o sol queimava, todo serelepe, a soleira das casas.

Arquimedes se entreteve com o livro por dias seguidos. Não fazia mais nada, além de se besuntar com os óleos que a mãe recomendava e ler. Lia e lia e lia e lia mais querendo acompanhar, num trote de letras, Dom Quixote em suas cavalgadas, em suas lutas contra os moinhos.

Os moinhos, pensou Arquimedes, são os verdadeiros inimigos, são os únicos e verdadeiros inimigos. São os inimigos verdadeiros e únicos e ponto final. Hei de vencê-los em honra a Dom Quixote. Hei de combatê-los como ninguém mais combateu. Destruirei um a um, sem dó, sem piedade, sem uma gota de óleo sequer. Vou vencer os moinhos. Serei Arquimedes, aquele que venceu os moinhos. Sim, agora sei quem será Arquimedes. Agora eu sei.



Escrito por Paula Cury às 23h46
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Dona Hidra se desesperou. Correu à vizinha, dona Mózinha e contou-lhe tudo. Dona Mózinha parou no ato e abaixou as pás que fazia girar enquanto seguia seu caminho. “como assim? “ foi a única coisa que dona Mozinha conseguiu dizer. Dona Hidra, enfurecida, culpou a amiga (agora ex-amiga) por tudo quanto se passava e desfez os laços de amizade. Caiu em prantos alagativos (como diziam os antigos). Sua vida não tinha mais sentido, era o que se ouvia ao longe num chiado de riacho que finda.

Os anos passaram. Dona Hidra, aos poucos, voltou à rotina de sempre, uma vez que não sabia mais fazer nada que não fosse o que fazia e sempre fizera. Dona Mózinha tentou reatar a amizade com dona Hidra, mas foi infeliz. Encontravam-se apenas por necessidade e dona Hidra passava tão ligeira que dona Mózinha por vezes tonteava algumas giradas sem direção.

Porém, num dia de raios e chuvas fortes, dona Hidra ouviu algo que lhe parecia familiar. Pensou ser um trovão mais afoito, mas não, não era um trovão, era mais familiar do que um mero trovão, era, era, era Arquimedes. Sim, era Arquimedes que voltava feliz da vida, todo brilhante e ostentava uma coroa prateada em formato parafuso, incrustado de brilhantes em toda a sua volta.

Leiam o diálogo final de nossa história. Este é, verdadeiramente, o que realmente de verdade foi dito:

- Arquimedes! Meu filho, que saudades.

- Minha mãe, querida. Voltei.

- Meu filho, nunca mais faça isso com a mamãe. Quase me matou de saudades. Mas, oh, como você cresceu, está bonito, brilhante. Ah, meu filhinho que saudades.

- Mamãe, seu filho venceu!

- Venceu?

- Sim, mamãe, por Dom Quixote, por mim, pela senhora, por todos: eu venci.

- Mas, venceu quem? Como?

- Venci os moinhos, mamãe.

- Os moinhos?

- Sim. Os moinhos. Um por um. Zapt, vupt, catapimba!. Um por um. Todos derrotados por mim, guiado por Dom Quixote. Acabaram-se os moinhos da Holanda.

- Mas meu filho, a Holanda é um país de moinhos.

- Era, mamãe. Era.



“A tecnologia dos moinhos foi, por vezes, adaptada para fins bem diferentes dos originais. Na Holanda, por exemplo, o célebre moinho de vento foi, na maioria dos casos, utilizado para acionar bombas hidráulicas movidas a energia eólica, construídas para drenar a água das chuvas para o mar. Atualmente a drenagem, na Holanda, é efetuada por motores elétricos que acionam bombas tipo Parafuso de Arquimedes.”

(retirado da Wikipédia)


Paula Cury



Escrito por Paula Cury às 23h45
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